27 de junho de 2008

Testes de Utilizadores

Depois de este trabalho ter andado completamente perdido durante um mês e de estar completamente desorganizado por causa disso, volto ao rumo normal que ele teria levado. Abordados temas como o design de informação, a usabilidade, a acessibilidade e a emotividade do design, falo-vos agora dos testes com utilizadores que realizei há dois meses atrás mas que vão obrigatoriamente continuar actuais por dois motivos:
1. as infografias não foram alteradas entretanto;
2. estando na recta final do trabalho e tendo eu vagueado imenso tempo fazendo posts menos interessantes, convém aproveitar o trabalho que já está realizado e que surge no âmbito dos últimos posts sobre a usabilidade do design de interacção e informação.

As infografias escolhidas foram testadas por três pessoas, tendo uma 24 anos, outra 20 e a última 47. Embora o tipo de relação que mantêm com os computadores seja diferente, a relação mantida com as infografias é semelhante. Como a maioria da população portuguesa que consulta sites noticiosos para estarem informados, ainda não criaram uma relação de proximidade com a infografia multimédia. Concluo que esse será o maior problema de usabilidade das infografias portuguesas: os portugueses não estão familiarizados, não as consultam, não dão o feedback necessário para melhorar alguns aspectos e os infografistas portugueses não se vão preocupando com a qualidade do seu trabalho mas antes com a quantidade.

Contudo há erros graves quanto à usabilidade de algumas infografias. Mas antes de eu própria dar o meu parecer sobre o assunto (delego isso para um próximo post), listo aqui os erros cometidos pelos utilizadores-teste das seguintes infografias: Casino de Lisboa, do Público.pt; Por Dentro da Fórmula 1, do Expresso e Mau Tempo em Lisboa, pela Rádio Renascença.

Adianto já que a infografia da Rádio Renascença parece não estar disponível. Era um exemplo interessante do que "não se deve fazer" pois foi a infografia que mais confusão gerou na sua exploração por parte dos utilizadores escolhidos. Mas parece que agora a Rádio Renascença aposta nas infografias multimédia da agência noticiosa AFP. Embora não sejam perfeitas e sejam simplistas de mais quanto à informação seleccionada, sempre são elaboradas com outro tipo de cuidados.

Listando agora os problemas encontrados:
- Apesar de as infografias terem informações sobre a sua própria forma de navegação, isso revela-se insuficiente e as pessoas vão procurando informação em locais que não são se quer clicáveis (p.e. ver timeline da infografia do Público.pt);

- Alguns elementos clicáveis revelam-se confusos devido à sua disposição no espaço porque são associados a determinada informação erradamente (p.e. ver setas que fazem a timeline deslizar na infografia do Público.pt - se clicarmos numa data, a informação (fotos) aparece exactamente entre as setas e o utilizador pensa que essas mesmas setas servem para navegar na informação);

- O início da infografia causa alguma confusão porque não começamos no número 1, como esperado e o utilizador perde-se na informação (p.e. a infografia do Expresso inicia no próximo circuito disputado e não no circuito um, deixa de haver uma certa linearidade para que haja apreensão da informação visualizada.);

- Neste tipo de produto multimédia deve se explorar um design que propicie menos a exploração. O utilizador quer encontrar rapidamente a informação que precisa e pode perder entusiasmo. (p.e. ver a infografia do Expresso, no que toca às várias partes do carro);

- Utilização de siglas nos links que não são percebidos por todos os utilizadores.

- Mapas interactivos mal sinalizados em que o utlizador não sabe bem em que área clicar para obter a informação pretendida.

- Infografia com som e não avisa o utlizador que este existe. Se o utlizador está com o som do computador desligado, é informação que se perde.

Os últimos três problemas foram detectados na infografia da Rádio Renascença mas como esta agora não está disponível, infelizmente não posso mostrar-vos o exemplo.

Num próximo post vou também escolher infografias elaboradas por jornais online portugueses e tecero meu próprio comentário. Quanto a estas não há muito mais a dizer porque os principais problemas foram detectados pelos utilizadores-teste.

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