Alberto Cairo escreveu um artigo (a incluir no volume Malofiej 15 - Março de 2008) sobre a interactividade dos infográficos da web, ou melhor, sobre a falta dela. São poucas as infografias realmente interactivas. Muitas infografias são simples digitalizações de infografias estáticas que sairam nos jornais (como p. e. a infografia do Público sobre o Red Bull Air Race no Porto) ou então infografias com uma interactividade amadora e que cansa qualquer utilizador mesmo paciente (como p. e. a infografia do El Mundo sobre a Estação Espacial Internacional).
Se o primeiro exemplo não tem qualquer tipo de interactividade, o segundo prova que uma infografia deve ser linear mas a sua leitura não deve ser exclusivamente essa porque esse tipo de navegação apresenta algumas desvantagens. A leitura linear é a forma mais básica de interacção: uma série de botões que permitem o controlo de uma narração linear. Este exemplo do El Mundo tem uma leitura exclusivamente linear e obriga o utilizador a nada mais nada menos do que 36 cliques até chegar ao final da sequência.
O problema que Alberto Cairo analisa no seu artigo é que "depois de oito anos de existência das secções multimédia em jornais como o El Mundo e o El País, as infografias online continuam lineares, estáticas, com excesso de formas de narrar do meio impresso e da televisão."
A visualização interactiva da informação tem mais sucesso quando resultam de iniciativas individuais de meios exclusivamente online que se adiantam aos jornais tradicionais. Em 2005 foi lançado o chicagocrime.org, onde o utilizador pode jogar com os dados a seu gosto: escolher uma rua, um distrito ou um código postal e ver quantos crimes se comenteram lá mediante um dado espaço temporal.
O site do metro de Madrid inclui uma aplicação que permite ao usuário escolher a estação de partida e de chegada bem como o dia e a hora da viagem. A página mostra, então, o trajecto mais rápido entre as estações e uma estimativa do tempo de viagem.
"Utilidade. Personalização. Certa atemporalidade. Se é tão importante identificar as principais características destas aplicações, porque não veêm mais a miúdo na imprensa digital?" interroga-se Alberto Cairo no seu artigo. Para esta situação há duas grandes explicações: uma prática e outra psicológica, relacionando-se.
Os departamentos de infografia multimédia, quando existem efectivamente, não estão preparados para enfrentar os desafios do mundo online que tem especificações muito próprias. Esta falta de preparação deve-se à carência de conhecimentos técnicos e formação teórica. Muitas equipas de infografia são compostas simplesmente por ilustradores e designers gráficos. Prevalece, nestes departamentos, o mito de que a interacção na infografia é cara e de difícil implementação.
Não há razões para limitar a interacção a um simples clique no botão "next" quando podemos facilmente permitir que o utilizador facilmente modifique e configure a infografia. Um óptimo exemplo disso é o infográfico do El Mundo, "Qué se puede hacer en 25 metros cuadrados". É muito isto que falta à infografia portuguesa; sabermos nos desligarmos do que é feito do papel. A infografia estática é um óptimo ponto de partida para o infográfico multimédia. Mas isso não pode significar uma simples digitalização do que se faz para o jornal impresso.
A infografia espanhola permite que cada utilizador faça a sua própria mobília, explore múltiplas possibilidades e por si mesmo perceba o que realmente significa viver numa casa com aquelas dimensões.
"Adicionar interactividade, ainda que em pequenas quantidades, implica assumir um novo paradigma", conclui Alberto Cairo. Os infografistas portugueses esquecem-se de ver uma interactividade como uma ferramenta, um software em vez de uma apresentação estática. Se isso acontecesse, o leitor deixava esse simples cargo que lhe é atribuido e assumia a posição de usuário (como é normal visto estarmos a falar de aplicações multimédia disponíveis na web) e a infografia seria então uma aplicação.
Fonte: Alberto Cairo
29 de junho de 2008
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1 comentário:
Oi Helena!
Sou formado em design, faço pós graduação em Arquitetura de Informação em São Paulo (Brasil) e atualmente estou fazendo meu Trabalho de conclusão de curso de AI voltado à infografia.
Trabalhei também um pouco com o Alberto Cairo em uma editora aqui em São Paulo. Ele sabe demais e é muito querido por aqui.
Não me lembro muito bem como cheguei até seu Blog, mas gostei muito mesmo do que escreve por aqui. Parabéns!
Agora passo a te acompanhar via RSS e enviarei também seu endereço para meus amigos da Pós.
Um abraço!
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