27 de abril de 2008

O Flash Enquanto Ferramenta

Jane Stevens encara a "história multimédia" como a combinação de texto, fotografia, vídeo, áudio, gráficos, ilustrações, mapas e a interactividade presente num website normal, num formato não-linear. Para Jane Stevens a possibilidade da utilização da linguagem não-linear significa que, ao contrário de ver uma narrativa estruturada rigidamente, o utilizador escolhe como navegar através dos elementos de uma história. A chave é usar vários formatos como vídeo, áudio, fotos, texto e animação, que apresentarão um segmento da história de uma forma atraente e informativa.

Porém, da mesma forma que uma infografia impressa, a infografia multimédia também precisa de uma boa história, cheia de elementos que possam ser usados. Daí algumas infografias não terem áudio ou vídeo. A história até pode não ser má mas não tem os elementos que procuramos quando queremos inserir os vários formatos multimédia numa infografia.

O Prof. Dr. Walter Teixeira Lima Junior explica-nos o que é realmente interessante numa infografia:
"Dentro de um roteiro não-linear de uma história multimédia, a parte que funciona melhor com as infografias é onde as câmaras de vídeo, fotográficas e microfones não podem ir, como dentro de células humanas ou a milhões de milhas dentro do espaço."
A ferramenta mais utilizada pelos "infografistas multimédia" é sem dúvida o Flash. Frederick van Amstel tem uma opinião muito interesante sobre isso. Em 2003 comparava a utilização do agora Adobe Flash como o primeiro tipo de flash que os fotografos utilizavam.
"O primeiro flash era apenas um punhado de magnésio que, quando acendido, provocava clarão. Esse flash matou fotojornalistas que cometeram algum erro no seu manuseio. Hoje, o Macromedia Flash, por mais que muitos torçam o nariz, está ajudando a matar o jornalismo como conhecemos: linear, uníssono, hermético. Ele é sim uma ferramenta de hipermídia e carece de ser utilizado com tal."
Num artigo publicado no website do Instituto Poynter, em Tampa, na Flórida (EUA), Monica L. Moses afirma que:
“O Flash permite ao utilizador selecionar as
informações que quer ver, peça por peça, eliminando o
scrolling e recuperando rapidamente a informação, trazendo a informação para o usuário”. Diz ainda que as primeiras tentativas de se utilizar uma linguagem multimédia para explicar um facto na web nasceram há mais de 10 anos, quando os Estados Unidos estavam a preparar outra guerra no Médio Oriente. E todos os jornalistas-infografistas no mundo trabalharam construindo mapas detalhados da região, esquemas de operações militares e no detalhamento de equipamentos bélicos, como os famosos mísseis Scuds. Para Monica L. Moses, a situação é diferente agora, “com a tecnologia disponível para realizar um infográfico. Pela primeira vez, o uso dos softwares de animação, por jornalistas, permite fazer aviões a voar, armas a disparar e prédios a desmoronarem-se.”

Cada vez mais o Flash deixa de ser uma ferramenta para produtores especializados em conteúdos interactivos online ou offline. Esta ferramenta assume-se agora como algo que pode (e tem) de ser usado por qualquer "infografista multimédia" numa redacção.

Fontes: "What is a Multimedia Story?" by Jane Stevens

"Infografia Multimída Avança na Vanguarda no Campo do Jornalismo Visual" do Prof. Dr. Walter Teixeira Lima Junior

"Infográficos: o Flash como recurso no jornalismo" de Frederick van Amstel

"New Graphics for a New War" de Monica L Moses

2 comentários:

chiclete_ou_chicla disse...

Achei super interessante esta "análise cronológica" da infografia elaborada em Flash.
Se em alguns casos o Flash limita a acessibilidade e dificulta a usabilidade no que diz respeito a sítios web, em termos de infografias é inegável a sua necessária utilização. É uma ferramenta que "fala por si", que permite uma animação constante e a interligação de vários elementos que ajudam o leitor a interpretar a informação de forma muito mais clara e menos entediante. A infografia "puxa" as pessoas à leitura de notícias, o que nem sempre é facilitado nos sites noticiosos.
Como apontaste no texto, referenciando Monica L. Moses, “O Flash permite ao utilizador selecionar as
informações que quer ver, peça por peça, eliminando o scrolling e recuperando rapidamente a informação, trazendo a informação para o usuário” - esta é a maior justificação da utilização do Flash nas infografias, a meu ver.

Bruno Giesteira disse...

Aproveito para enviar mais duas referências na área do Desenho de Informação:
*http://infosthetics.com/
*http://www.visualcomplexity.com/vc/
-
Julgo também ser essencial aprofundar o assunto fazendo uma análise comparativa, ao nível da acessibilidade,
entre o "flash" e as directrizes do W3C traduzidas nas linguagens SVG e SMIL.

Votos de um bom trabalho!